|
Escola
de Equitação / Sociedade Hípica Paulista
EQUITAÇÃO CLÁSSICA
A Equitação Clássica
ou Acadêmica tem suas origens nas escolas que se desenvolveram na
Europa com o advento da Renascença. O interesse pela cultura clássica
neste período levou à redescoberta dos trabalhos do general grego
Xenofonte (430-355 a.C.) que já tratava a equitação como ciência
e arte. Os cavaleiros renascentistas muito deveram ao seu mestre
grego, o primeiro a sistematizar realmente as teorias eqüestres.
Resultante desta volta
ao classicismo, tem-se a criação em 1532, em Nápoles, centro da
Renascença, de uma Academia de Equitação, cujo fundador, Frederico
Grisone, foi considerado, após Xenofonte, como o primeiro mestre
clássico. Sua obra Gli Ordini de Cavalcare(As Regras da Arte
de Cavalgar), editado em 1550, é considerado uma das obras literárias
de maior relevância no mundo eqüestre.
Em 1572 inicia-se em
Viena aquela que passaria a se chamar "Escola Espanhola de
Equitação", como auxiliar da Corte para a educação dos nobres
na arte eqüestre. O nome "Espanhola" é decorrente do fato
de a Escola somente se utilizar de cavalos selecionados, trazidos
originalmente da Espanha e criados numa coudelaria fundada em 1580
em Lipizza, perto de Trieste, pelo arquiduque Carlos II. Daí o nome
atribuído aos cavalos de "lipizzaners".
Curiosamente, aquele
que é tido como a bíblia eqüestre da Escola Espanhola de Viena é
o livro École de Cavalerie, escrito por um dos discípulos
de Frederico Grisone, François Robichon de La Guérinière (1688-1751),
que é chamado por alguns de pai da equitação clássica e que pertencia
também à pioneira Escola de Versalhes, fundada na França em 1680.
Realmente, a equitação
acadêmica ou clássica encontra o seu apogeu no século XVIII na França,
com a Escola de Versalhes e a figura mais marcante da época e da
Escola foi La Guérinière.
A Escola de Versalhes
foi destruída pela Revolução Francesa, em 1789, restabelecida em
1815 e desapareceu definitivamente em 1830. No entanto, em 1834
tem-se a criação da Escola de Cavalaria de Saumur, cujo Cadre
Noir (constituído pelo corpo de instrutores) preserva até os
dias de hoje as tradições e as figuras eqüestres da Escola Clássica,
em belíssimas apresentações conjuntas, semelhantemente às da Escola
Espanhola de Viena.
O esporte eqüestre
evolui ao longo desta história e suas três modalidades principais:
o Adestramento, o Salto e o Concurso Completo de Equitação (CCE)
alçaram qualidade olímpica em Estocolmo, 1912, apesar de já ter
havido competições de salto ao cronômetro, em distância e em altura,
nas Olimpíadas de Paris em 1900.
SALTO
Até o final do século
XIX o salto não fazia parte do mundo eqüestre e as primeiras competições
foram testes para caçadores. A Royal Dublin Society organizou uma
competição ampliada de saltos em Leicester Dawn, Dublin, em 1865,
sendo este o primeiro registro de uma competição no gênero. Um ano
depois foi incluída, no Festival de Paris, uma classe de saltos
(concours hipique), apesar de ter sido uma espécie de cross
através do campo.
Em 1900, competições
de salto faziam parte dos Jogos Olímpicos e compreendiam salto em
altura, distância e ao cronômetro. As regras foram sendo aperfeiçoadas
regionalmente, até que, logo após a II Guerra Mundial, coube à Federação
Eqüestre Internacional (FEI) padronizar um regulamento internacional
para a modalidade.
Hoje em dia os principais
concursos julgados por estas regras são: O Campeonato Mundial, Jogos
Olímpicos e a Taça do Mundo, além de inúmeros Concursos Internacionais,
Nacionais e Regionais.
As provas de Salto
poderão ser disputadas ao cronômetro, caso em que o tempo é fator
fundamental de classificação; precisão, em que a perfeição do percurso
sem derrubes é fundamental; e tipo potência, em que a altura dos
obstáculos isolados sobe gradualmente, chegando a ultrapassar a
barreira dos 2 metros.
A combinação destes
fatores é possível e as variações possibilitam uma dinâmica e um
brilho todo próprio como as provas tipo "grande prêmio".
Das modalidades olímpicas,
atualmente, o Salto é a que maior número de aficionados reúne no
esporte eqüestre.
CCE
O Concurso Completo
de Equitação reúne três disciplinas clássicas: o adestramento, a
prova de fundo ou cross country e o salto. É uma modalidade realizada
em 3 dias, daí o nome em inglês "Three Days Event".
Começa por uma reprise de adestramento no 1o dia. No
2o, a prova de fundo constitui-se de 4 fases: a fase
A, chamada estradas e caminhos é feita ao trote; a fase
B chamada steeple chase é feita ao galope largo
com alguns saltos em obstáculos naturais; a fase C é novamente estradas
e caminhos feita ao trote, e a fase D é o cross country
propriamente dito, feito a galope através do campo, com salto de
obstáculos naturais, como troncos, valas, sebes, obstáculos dentro
dágua, etc. No 3o dia há uma prova de salto, a
uma altura máxima de 1,20m e ao final da qual se apura a classificação
com o somatória de todos os pontos perdidos nas três provas.
A origem do CCE dá-se
na França com o nome de Cheval dArmes ou
cavalo darmas, pois que era, na verdade, uma prática militar
para testar a resistência, velocidade e obediência do cavalo, além,
naturalmente, da capacidade do cavaleiro.
A primeira competição
aconteceu em Paris, 1902. A estréia olímpica deu-se logo a seguir,
em 1912, na capital da Suécia e foi restrita a cavaleiros militares.
Os civis só puderam competir após a 2a Guerra Mundial.
Além das Olimpíadas e do Mundial, há um concurso de CCE, de grande
projeção internacional, que é realizado na Inglaterra desde 1949
e conhecido pelo nome de Badminton.
No Brasil, o CCE passou
a ser praticado a partir de 1908, com a chegada da 1a
Missão Militar Francesa em 1906, para adestrar e treinar as tropas
da Força Pública de São Paulo.
ADESTRAMENTO
Sobre o Adestramento
muito já foi dito na introdução feita acima, especialmente sobre
o marcante desenvolvimento que teve a partir da Escola de Versalhes
e da Escola Espanhola de Viena. Caberia ressaltar mais uma vez a
importância de La Guérinière e sua obra École de Cavalerie,
tanto para a Escola de Versalhes, da qual fazia parte, quanto para
a doutrina seguida pela Escola de Espanhola de Viena. É curioso
o fato de que as teorias deste francês, adotadas pelas escolas austro-germânicas
de maneira definitiva, foram extremamente contestadas na França,
especialmente por um grande écuyer francês, chamado François
Baucher que acabou por deixar longa lista de seguidores como o Conde
dAure, o General lHote, Decarpentry e outros, dentro
da orientação filosófica da leveza.
É importante ressaltar
que as competições de adestramento ocorrem normalmente num picadeiro
de 20x60m e que as provas disputadas internacionalmente utilizam
normalmente as reprises: São Jorge, Intermediária I, Intermediária
II e o Grand Prix. Mais recentemente foi incorporada uma reprise
musicada denominada Kür, cuja seqüência de figuras e respectivas
músicas são forjadas e concatenadas por cada um dos concorrentes,
resultando em apresentações de grande plasticidade, harmonia, arte
e beleza.
|